Times externos e serviços da nuvem

Cada vez mais a vida profissional invade a pessoal e vice versa. A conexão trouxe mudanças de comportamentos e fez com que as corporações flexibilizassem suas fronteiras. Há tempos que o trabalho extrapolava o horário comercial, agora ele teve que ceder em relação ao endereço.

Vinte e cinco anos atrás, os serviços externos contratados por uma empresa se resumiam, basicamente, a advogados, consultorias, agências de comunicação e provedor de internet. Os ERPs, em geral, eram instalados nos servidores internos, pois não havia a opção pelos SAAs. Àquela época, pesquisas contínuas do Ibope e da Nielsen, por exemplo, vinham formatadas em disquetes para análise dos gerentes de produtos e marketing. Em 2004, um artigo publicado pelo especialista Chris Anderson, na revista Wired, começava a pôr em xeque as limitações de lojas físicas comparadas à infinitude das prateleiras do e-commerce. O texto veio à luz, por sinal, num momento em que as vendas virtuais cresciam em ritmo acelerado e a Amazon lançava a AWS. Desse momento em diante, o armazenamento e os backups de dados em nuvens passaram a ser absorvidos nas empresas de diferentes setores, um ponto fora da curva para a época. Companhias aceleraram então a contratação de serviços externos, entre estes a transferência da gestão de documentos e informações estratégicas a terceiros.   

Simultaneamente, o avanço do e-commerce fez crescer o interesse de anunciantes pelas ferramentas de marketing digital e forjou o surgimento das primeiras agências especializadas na área. Estas nasceram, sobretudo, frente ao desinteresse inicial de parte das agências de propaganda “tradicionais” em relação à “nova era”. Eis um dos motivos centrais para a rápida consolidação das agências de marketing digital. Nos dias de hoje, em meio à pandemia que atinge a todos, o trabalho precisou ir para casa, e com isso as empresas mais antenadas se anteciparam no desenvolvimento de plataformas, SAAs, compartilhamento, envio de informações, armazenamento em nuvem, reuniões por chamadas em vídeo. Tudo isso em tempo recorde. Agora os times internos trabalham como se fossem externos e não há mais alternativa possível: ou as empresas aderem ao novo tempo ou sucumbirão abraçadas às suas memórias.

%d blogueiros gostam disto: